quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

DISCUSSÃO!

Hoje, na nossa aula de Imagem e Som, estivemos a assitir ao filme "Amanhã Talvez", uma curta de Luis Galvão Telles, que o professor António Fundo julgou ser um bom exemplo daquilo que podia ser produzido para a PAA. Tematicamente, corresponde à proposta da PAA, uma vez que trata uma época da História de apertada repressão ideológica, lembrança daquilo que foi uma ditadura de aproximadamente 40 anos, que hoje não existe mais. O protagonista vê-se na peugada da polícia política, está desgostoso pela morte de uma tal Marília e eis que chega o dia 25 de Abril.
Está evidente um contraponto entre o "outrora" e o "agora" - o amanhã do título, símbolo da Liberdade, da Democracia plena. Fala-se do antigamente, mas mais: transpõe-se a acção para esse "antigamente", uma época passada, de maneira a ilustrar bem o que foram os horrores da PIDE e da censura.
Por isso eu ter falado à Sara sobre se era isto que o professor José Fundo (autor do tema) e os restantes júris pretendiam das nossas curtas para a PAA: será um filme histórico? Será que nos devemos focar numa determinada época e adaptá-la para o nosso projecto, forma acessível de ironizar os males do passado?
Queria que por agora a turma participasse neste post e pudesse responder-me. Lanço a pergunta e espero pelo feedback. Acho que este blog é para isso mesmo, para provocar alguma discussão em torno de assuntos que incidissem na PAA ou nos projectos que estão a ser tratados na turma.
P.S.:Será que podemos alterar a cor de fundo do blog? Não gosto nada do preto. Irrita-me os olhos.

"Pi" - análise/crítica do filme

“Pi” trata-se de um filme independente realizado por Darren Aronofsky, também realizador de “Requiem for a dream”. É um filme fascinante e angustiante que apresenta um argumento rico em referências matemáticas a importantes nomes como Leonardo DaVinci e Arquimedes.
O filme conta a história de Max Cohen, um génio da matemática que possui dificuldades de relacionamento com outras pessoas e que encontra um padrão no número “pi” que permitirá que se descubra o que ocorrerá no futuro. A acção desenvolve-se, em grande parte, no interior do pequeno apartamento de Max, apresentando sempre poucos personagens, causando então uma terrível sensação de angústia e claustrofobia, reforçada pelo uso do preto e branco granulado.
O argumento de “Pi” foi escrito pelo próprio protagonista, em conjunto com Aronofsky, o realizador e ainda Eric Watson. Neste filme assistimos ao surgimento de factos não explicados e que, por isso, suscitam interpretações distintas nos espectadores como é o caso da invasão de formigas ao apartamento de Max, mal ele começa a chegar ao misterioso número ou a substância melosa que o matemático encontra no seu computador. É de salientar que é um filme bastante dinâmico a nível rítmico, o que desperta uma maior atenção.
“Pi” foi feito com uma quantia de aproximadamente 60 mil dólares, de forma totalmente independente. A obra teve um elevado sucesso junto do público, tendo estreado mundialmente no festival de Sundance, sendo este um festival de grande importância para filmes independentes.
Do meu ponto de vista, é impressionante o modo como uma história sobre números, que decorre na sua generalidade, no interior de um apartamento sombrio e de espaço bastante reduzido, consegue causar maior impacto do que qualquer outro filme de terror. É um filme que provoca no espectador, mesmo naqueles mais desatentos ou menos entendidos, uma sensação de constrangimento, de prisão, de alucinação na tentativa de conhecimento da mente humana. È, sem dúvida, um filme digno de ser visto e revisto.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Time Code

Time Code, do realizador Mike Figgis conta a historia de duas lesbicas vividas por Salma Hayek e Laura Linney
uma delas é muito ciumenta que por sua vez controla a vida da outra através de um microfone, nas outras telas estão
uma equipe de cinema, aonde Rose vai supostamente fazer um teste para um papel, mas na verdade vai encontrar
o amante, Alex.
É um filme inovador na minha opinião, sem cortes e com quatro cameras, onde durante o filme todo a tela fica dividida
em quatro.
No inicio do filme achei um pouco confuso e aborrecido e fui vendo focando mais numa so tela, quando deves enquando olhava
para as outras fui-me apercebendo que todas elas estava interligadas e aí sim começei a ganhar interesse pelo filme.
Este filme vai ficar sempre marcado na historia do cinema, não so pela divisão de tela mas pelo facto de o realizador
do filme ser o responsavel pela banda sonora, operar as quatro cameras do filme e o elenco brilhantissimo que a maior
parte das vezes usou o improviso.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"Dogville" - análise/crítica do filme

“Dogville” é um impressionante filme, lançado em 2003 e dirigido por Lars Von Trier, no qual o mesmo assume também a função de operador de câmara. Dogville é o primeiro filme de uma trilogia, centrada nos Estado Unidos da América e designada por “EUA: the land of opportunities”.Neste filme, Lars Von Trier apostou numa simplicidade de cenários, num “vazio preenchido”, no preenchimento de um “vazio fictício”. Ao abdicar dos cenários e dos adereços, o realizador procurou valorizar o âmago de cada uma das personagens para que o espectador, exteriorizando o “supérfluo” e o “superficial”, pudesse olhar apenas para o que verdadeiramente interessa no seu filme: a desumanidade demonstrada pela humanidade; e para que não se esqueçam que estão a assistir a uma peça de ficção. Do meu ponto de vista, este factor constitui um conceito bastante interessante, na medida em que permite ao espectador criar a imagem de um cenário inexistente e consciencializar-se de que está realmente perante uma ficção. Para além de que acho que se deve salientar o trabalho sonoro que este mesmo conceito implica. Este é um dos factores de maior riqueza do filme.Apesar de os vários personagens fazerem constantes referências à paisagem ou ao céu, o fundo é infinito, tendo constantes alterações de luz e cor que indicam mudanças de dia e noite, clima e momentos do filme.Em “Dogville”, Lars Von Trier apresenta uma percepção pessimista da humanidade, onde impera o cinismo, a hipocrisia, a chantagem, a vingança, a mentira e uma visão dogmática. O filme constitui, assim, um retrato exemplar sobre o comportamento humano, a vida em comunidade e a tensão estabelecida entre a escolha individual e a norma colectiva, designando-se então por uma parábola moral. Nele, é feito o retrato da arrogância humana, de pessoas cruéis, mesquinhas e egoístasCom o visionamento de “Dogville” torna-se também perceptível que o mesmo apresenta diversas influências teatrais, que lhe conferem uma maior riqueza.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

foto dogma001


Dir-se-ia que as imagens de produção tecnológica comprovam a tese de Jean Baudrillard de que a realidade se cumpre como signo, como representação, sendo esta encarada como simulacro, ou seja, como artifício. Esta tese tem a suportá-la o facto de que os homens sempre desejaram acreditar mais nas imagens que inventam do que naquilo que elas representam, como diria Walter Lipmann.
Tirania das Imagens:

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dogma 95

O Dogma 95 é um movimento cinematográfico internacional lançado a partir de um manifesto publicado em 13 de março de 1995 em Copenhaga, na Dinamarca. Os autores foram os cineastas dinamarqueses, Thomas Vinterberg e Lars von Trier. Segundo o relato de Vinterberg, os dois levaram apenas 45 minutos para formular as regras. Elas foram apresentadas uma semana depois no Odéon - Théatre de L’Europe, em Paris, em 20 de março de 1995, onde von Trier foi chamado para celebrar o centenário do nascimento do Cinema.O Manifesto Dogma 95 foi escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial e apresenta uma série de restrições quanto às técnicas e conteúdos dos filmes e seus realizadores.

As regras do Dogma 95, também conhecidas como “voto de castidade”, são:
As filmagens devem ser feitas em locais externos.Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
São proibidos os truques fotográficos e filtros.
O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
São inaceitáveis os filmes de gênero.
O filme deve ser em 35 mm, padrão.
O nome do diretor não deve figurar nos créditos.
Todos os filmes que recebem o reconhecimento do Dogma 95 seguem 10 regras estipuladas por Trier e Vinterberg. Para tanto, os realizadores devem enviar cópias de seus filmes à entidade que gerencia o Dogma 95 e submetê-los à avaliação. Caso aprovado e verificado que o voto de castidade foi cumprido, os autores recebem o Certificado Dogma 95.